O PE Bodycount em uma das suas ações
Com a marca de quase 2.500 assassinatos neste ano (até setembro), o site PEbodycount anunciou o fim de suas atividades. A Organização não-governamental criada por quatro repórteres de polícia tinha como objetivo acompanhar todos os homícidios de Pernambuco, ao mesmo em que discutia as políticas públicas de segurança. Para conhecer mais sobre a iniciativa, veja entrevista realizada em maio de 2009 aqui no Internecidade com o jornalista Eduardo Machado, um dos fundadores da ONG.

O site PEbodycount era uma das mais importantes ações para acompanhar de forma independente a escalada da violência em Pernambuco. O Estado é um dos mais violentos do País, com Recife figurando como a capital mais violenta, com ocorrências superiores a muitas regiões de guerra. Segundo dados da própria ONG baseados no IBGE, quatro anos atrás foram registrados 4.638 assassinatos no Estado, enquanto os 25 país da União Europeia contabilizavam juntos 6.697 homicídios em uma população total de 459 milhões de habitantes. Em 2009, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco divulgou o registro de 4.015 homícidios.

“Este é o nosso cenário. É onde trabalhamos. A quantidade de cadáveres mensais produz uma monotonia assustadora. Por vários anos, os nossos mortos foram solenemente ignorados. Esquecidos por todos. Não só pelas autoridades. E foi justamente no meio de tanta morte e indiferença que surgiu o Pebodycount”, colocam sobre o que motivou a criação da ONG.

Ainda segundo os próprios editores na carta de despedida, a iniciativa se encerra depois de mais de três anos e meio de atividade devido ao cancelamento do patrocínio para manutenção da equipe de apuração e manutenção do site. A ONG contabilizava mais de 14 mil assassinatos em seu banco de dados, o maior do tipo realizado por uma organização não-governamental.

Apesar do fim do site e ainda contar com índices excessivos de violência, o grupo de jornalistas se sente com o dever cumprido de levantar e discutir a pauta da segurança pública em Pernambuco. Também prometem se manter atentos à temática. Para eles, o Governo do Estado já vê a questão de forma diferente e há uma ponta de esperança com a tendência de queda dos índices nos últimos anos.

“O fato é que, pela primeira vez no Estado, o governador percebeu que não adiantava repetir o mantra de que o problema da violência era nacional. O entendimento oficial mudou. As mortes são sim um problema de Pernambuco. O governo tem sim responsabilidade pelas pilhas de cadáveres acumulados no IML. Reconhecer o problema era o primeiro passo. E, neste ponto, acreditamos que contribuímos para este entendimento. A missão foi cumprida”, afirmam.