foto: Fábio Candeias

Muros da Consolação: quando convidei meu amigo e fotógrafo Fábio Candeias a fazer a foto da pixação, saímos com o objetivo de registrar a frase. Ele captou muito mais.

Quase como um viral, a frase se espalha pelos muros da cidade de São Paulo. Essa, especialmente, está pixada no cemitério da rua da Consolação, vista no sentido Centro-Rebouças. Há notícias também do mesmo “grito” em Pinheiros-Vila Madalena. Tem ainda um cartaz na rua Augusta. E deve estar circulando loucamente na “twittesfera”.

Logo pela manhã, na última quarta-feira, subindo para uma reunião (aquelas famosas…), o impacto foi grande e ressoou na cabeça ao longo do dia. Simples, mas direto, com um “punch” nocauteante. Acordei. Nestes tempos, um tanto sórdidos, quem têm falado do amor? Nos noticiários, nas manchetes, em toda essa confusão (que não é minha, não é nossa)…em meio a essa busca insana de mercados, de superávits, de poder, dos bônus (sem os ônus), em meio a todo o “meltdown”, de tudo o que é sólido e se desmancha no ar, o que é importante? “Meu amigo…o amor é importante…”. Sim, como numa música do Roberto, todos estão surdos. Daí, o grito, o furor!???

A pixação lembra uma outra, também marcante, talvez de uns 30 anos atrás. A célebre “Sem tesão não há solução” – eternizada pelo escritor e terapeuta Roberto Freire – foi pixada no mesmo muro do cemitério da Consolação. Dela, surgiu todo um conceito e um livro, que movimentou e ainda movimenta gerações. Juntando esse desespero anônimo em 2009, e aquela frase clássica da década de 1980, quem sabe também anônima mas registrada pelo Roberto, arrisco a dizer:

“Sem amor, não há tesão e nem solução, porra!”